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Jun 06

Daniel de Sá:
Exilados da hemodiálise

 

Às vezes fica-se com a ideia de que quem escreve nos jornais pensa que sabe tudo. Quando Pinto Balsemão foi proposto para primeiro-ministro, o Jorge Cabral, com o conhecimento de causa que se lhe reconhece, disse-me que não lhe augurava grande futuro nessas funções porque, como jornalista, sabia um pouco de tudo mas não era especialista em nada. Pareceu-me uma boa definição, confirmada pela passagem efémera de Balsemão pelo cargo.

O assunto que trato hoje é demasiado sério para que me bastasse esse tal saber de tudo um pouco. Acerca de Medicina sei apenas aquilo que faz parte da cultura geral, e por isso tive o cuidado de ouvir a opinião de um amigo médico continental, que tem um coração do tamanho da vida. Mas ele não se contentou em dizer-me o que sabia, e pediu parecer a um dos maiores especialistas portugueses nessa área. (Esta explicação prévia era importante, para que não houvesse quem pensasse que eu estava a arriscar-me por caminhos para os quais não tenho pés para andar.)

Nunca pedi um favor pessoal a Carlos César. Mas, hoje, e embora eu nem sequer tenha gente conhecida nas condições do exílio referido no título, é como se o fizesse. E por isso invoco tudo o que nos une há muito tempo, quer a amizade quer os ideais políticos, para que ele e o seu Governo levem muito a sério o que sugiro. Mais do que sugerir, aquilo que peço, e, se for preciso, suplico.

Uma das situações de doença em que mais me aflige pensar é a de quem necessita de hemodiálise. Vidas presas pelos tubos de uma máquina, três vezes por semana. Vidas que se acabam em pouco tempo, se não puderem dispor desse substituto das funções renais. E por isso se exilam da sua ilha quando nela não há serviço de hemodiálise, o que é o caso da maior parte delas. Sei de uma senhora das Flores que viveu os últimos catorze anos na Terceira. E sei de outra de Santa Maria que está desterrada na Ribeira das Tainhas. Sobre estes dramas, ou se escreveria um livro ou não poderá dizer-se nada...

O que explicou o especialista que referi pode resumir-se simplesmente no seguinte: uma solução para estes casos não passa de uma opção política. Actualmente, há unidades de hemodiálise que podem ser instaladas até em casa do próprio doente. Essas máquinas requerem cuidados especiais, sobretudo no que respeita à sua manutenção e à água que nelas é utilizada, o que todos nós ficámos a conhecer bem pelo triste caso de Évora. Mas a ideia não tem nada de absurda nem sequer de irrealizável. É tudo uma questão de opções. Por exemplo, a manutenção de cada uma das vinte e oito equipas desportivas açorianas em campeonatos nacionais custa incomparavelmente mais do que uma dessa unidades de hemodiálise. Parte do que gastam as nossas Câmaras Municipais em festas seria uma ajuda inestimável, porque este é um sacrifício económico que requer o esforço de vários responsáveis políticos. E entre os próprios familiares dos doentes seria fácil encontrar quem pudesse aprender a técnica requerida, embora, naturalmente, conviesse haver especialistas que acompanhassem regularmente a situação.

No fundo, trata-se de saber se há princípios cristãos que podem ser transpostos para a política, ou se o bem-estar de um cidadão vale por meia dúzia de votos perdidos, porque uma equipa desceu de divisão ou porque na festa cantou menos um ídolo nacional. Ou se a alegria de um golo ou o prazer de um espectáculo de música vale o mesmo, embora oposto, que o sofrimento de um desses irmãos nossos.

Já disse mais do que o necessário. Mas, sinceramente sofrendo um pouco por esses exilados à força, espero, como nunca, deferimento para o que aqui peço. Suplico.

Sexta-Feira, dia 12 de Maio de 2006 

publicado por rui sousa às 11:39
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Máquina de hemodiálise portátil dará liberdade aos pacientes


Máquina de hemodiálise portátil dará liberdade aos pacientes

Pesquisadores da Universidade de Indiana, Estados Unidos, anunciaram estar finalizando os testes de campo em uma nova máquina portátil de hemodiálise. O equipamento já passou por todos os testes preliminares e a avaliação na residência de pacientes é o último passo para que ela possa chegar ao mercado.

Batizada de NxStage System One, a máquina pesa apenas 30 quilos, permitindo que os usuários as utilizem tanto em casa como em viagens. Novos materiais permitiram a construção de filtros menores, muito mais compactos do que os que equipam os equipamentos hospitalares atuais, mas com uma eficiência até superior.

O Dr. Michael A. Kraus, afirmou que os pacientes tratados em casa apresentam pressão sanguínea mais estável e todos eles reduziram ou eliminaram completamente os medicamentos para pressão. As taxas de anemia declinaram e o apetite aumentou.

Mas o maior impacto da máquina portátil de hemodiálise deve ser mesmo a qualidade de vida, eliminando a necessidade do deslocamento contínuo ao hospital.

Fazendo o tratamento em casa, a maioria dos pacientes poderá trazer a normalidade de volta às suas vidas e até mesmo voltar a trabalhar ou estudar. A sessão completa de hemodiálise, com a nova máquina, leva cerca de 2 horas e meia.

Para detalhes adicionais, visite a página da empresa NxStage, que os cientistas fundaram para fabricar a nova máquina (ver endereço no quadro Para Navegar).

Fonte: www.inovacaotecnologica.com.br.

publicado por rui sousa às 11:35
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