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Jun 06
Monopólio na hemodiálise obriga empresa a despedir funcionários


A Pronefro ( Produtos Nefrológicos), única empresa fabricante em Portugal de dispositivos médicos para hemodiálise, localizada na Maia, confirmou, ontem, o despedimento de 30 dos 100 funcionários, devido a um incumprimento de contrato por parte do seu principal cliente, o grupo alemão NMC/Fresenius .

O cenário de despedimentos na unidade foi avançado, pelo JN, na edição do passado domingo, e tem a ver com o facto de o grupo cliente concentrar cerca de 70% do tratamento da insuficiência renal em Portugal, o que configura monopólio.

De acordo com a Pronefro, o último contrato de fornecimento das clínicas de tratamento para insuficientes renais crónicos da NMC/Fresenius deveria terminar no próximo dia 31 de Dezembro, mas, "de forma inesperada", a multinacional decidiu antecipar o final do compromisso para 31 de Outubro.

"Este desfecho ameaça a sobrevivência da Pronefro e põe em risco os postos de trabalho", admite, em comunicado, a empresa , avançando que este poderá ser "o primeiro passo para a extinção" da unidade.

"Com o final do contrato, a empresa deixa de ter qualquer opção de sobrevivência no país, pelo facto de o mercado da hemodiálise ser controlado pelo grupo e lhe ser assim vedado o acesso a uma enorme fatia do mercado nacional", diz.

Adicionalmente, a Pronefro acusa a NMC/Fresenius de "claro e evidente monopólio" e de "práticas proibidas" no sector, o que a levou já, em Agosto, a apresentar uma denúncia à Inspecção-Geral de Actividades Económicas e à Inspecção-Geral de Saúde, com conhecimento ao presidente da República e ao ministro da Saúde. Em Março, a Pronefro já apresentara, na Autoridade da Concorrência, uma outra denúncia contra a situação de verticalização do mercado por parte do grupo. "Além de prestar tratamentos de diálise através da sua rede de clínicas privadas, o grupo assegura também o fabrico de produtos nefrológicos para hemodiálise e o transporte dos doentes em tratamento nas clínicas", afirma.

Contactada pela Lusa, fonte da administração da NMC/Fresenius disse que a empresa "não irá prestar quaisquer declarações" enquanto decorrerem os dois inquéritos na Autoridade da Concorrência e na Inspecção- Geral de Saúde.

Segundo dados da Pronefro, existem cerca de oito mil doentes com insuficiência renal crónica em tratamento de diálise, cujos custos, pagos pelo Estado, rondam, em média, cerca de 1500 euros mensais por doente.

Fonte: Jornal de Noticias
publicado por rui sousa às 12:11
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