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22
Jun 06

Pacientes são alfabetizados durante hemodiálise

Luciana Lino
Especial para o Aprendiz

Otho Garbers

   
Seis macas. Cada uma delas ocupada por um paciente. Ao lado de todos, máquinas filtram o sangue, retirando substâncias indesejáveis, como a uréia. Apesar de parecer uma sessão comum de hemodiálise, três pacientes fazem exercícios de português solicitados por uma professora. Esta é uma das turmas do curso de alfabetização de adultos da Fundação Oswaldo Ramos, órgão complementar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), responsável pela área de nefrologia (doenças ligadas aos rins).

O curso, que conta com mais duas turmas, totalizando 15 alunos, começou em agosto de 2005 a partir da constatação de que, parte dos pacientes era analfabeta e passava as quatro horas da sessão sem realizar atividade alguma. "Foi um desafio assumir essa proposta, porque não tinha conhecimento de projetos parecidos", afirma Rosemary Santiago, pedagoga da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), que firmou parceria com a organização não governamental Alfabetização Solidária, para implementar o projeto.

O tratamento de hemodiálise é realizado por cerca de 54 mil pessoas, em todo país, que sofrem insuficiência renal crônica, segundo dados de 2002 da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBF). Durante as sessões, o sangue é filtrado eliminando substâncias indesejáveis do organismo, já que os rins do paciente não exercem mais esta que é sua função. As sessões duram cerca de quatro horas e, normalmente, são feitas três vezes por semana. 

O projeto só foi possível com algumas adequações às salas de alfabetização comuns. Para Santiago, as aulas com os pacientes exigem um trabalho individual porque "a sala de hemodiálise não é usada apenas por alunos de alfabetização, existem outros pacientes".

Ao invés da lousa, a professora passa as atividades no caderno. As carteiras escolares foram substituídas por pranchetas. "O maior problema é que, muitas vezes, os alunos não podem escrever naquele momento porque têm dificuldade de se movimentar. A solução são as atividades de recorte. Eles recortam sílabas ou letras móveis e colam, formando assim as palavras", explica.

A escolha da alfabetizadora foi uma etapa importante e necessitou cuidado especial por parte de Santiago. "As vagas foram divulgadas para os alunos de pedagogia nos dois campi da universidade - onde a pedagoga leciona -, mas apenas quatro pessoas se candidataram, por causa da especificidade das aulas. Conversei bastante sobre a situação que elas poderiam enfrentar durante as sessões, como uma pessoa morrer, por exemplo. Uma percebeu que não daria para ela trabalhar e desistiu".

Segundo Santiago, o projeto vai continuar pelo menos até outubro de 2006. Depois, a ong parceira analisará o projeto pedagógico e os resultados obtidos nas aulas para decidir se continuará ou não funcionando.

Fonte: http://aprendiz.uol.com.br/content.view.action?uuid=6ca3073a0af470100140984bcf5c882f

publicado por rui sousa às 21:49
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